Entrevista
PERGUNTA: George, você pode falar um pouco sobre como e quando você começou seu envolvimento na música?
RESPOSTA: Eu comecei a me envolver com a música em 1996, quando iniciei as aulas particulares de violão popular. Um ano antes (1995) eu já tinha começado a escrever poemas. Em 1999, cheguei a estudar (e a tocar) piano clássico, mas, quando eu comecei a compor as primeiras canções autorais, com uso do violão, acabei deixando o piano de lado (me envolvendo mais nas composições, que eram novidade na época, em 2003).
PERGUNTA: Quais são suas referências ou influências musicais, considerando que você aprendeu a tocar violão popular e depois piano clássico?
RESPOSTA: Quando se pensa em Música Popular Brasileira (MPB), é complicado listar todas as influências que tive porque a própria MPB é ampla e diversificada, com muitos ritmos e estilos. Então, prefiro dizer quais são minhas principais influências. Como pernambucano, cresci ouvindo ritmos regionais, como frevo, baião, maracatu, caboclinho, coco de roda entre outros, então minhas principais referências foram Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e ainda Djavan.
Há outros artistas também, mas esses cinco foram os principais (aqueles que tinham as músicas que eu queria aprender a tocar). Naquela época (em 1996), ou eu tirava essas músicas de ouvido e tocava em seguida, ou então eu ia até uma banca de revista e comprava revistas de músicas cifradas (havia também o Songbook do artista, de Almir Chediak, que era possível pegar emprestado das bibliotecas públicas pra treinar em casa).
Pois bem, no meu caso, eu procurava as revistas com cifra ou o Songbook desses artistas que eu citei aqui, já que não era fácil tirar de ouvido, por exemplo, músicas de Djavan, que possuem muitos acordes dissonantes. Em relação ao piano, eu não visualizo, de forma consciente, nome específico que tenha me influenciado, pois passei pouco tempo envolvido nesse instrumento.
Mas percebo algo importante: que a minha percepção musical aumentou e isso me ajudou depois inclusive com o violão, já que o piano, como se sabe, é um instrumento de corda (e de percussão). As teclas do piano se ligam a cordas estendidas e quando o martelo da tecla bate, as cordas vibram e emitem o som correspondente.
Contudo, minha principal influência musical eu conheci a partir de 2001-2002, quando fui assistir no cinema à trilogia de ‘O Senhor dos Anéis’. É a cantora e compositora irlandesa, Enya. Fiquei encantado com aquela voz angelical e com aquele coro de fundo de vozes sussurradas (vozes etéreas), estavam tão bem ambientadas naquele filme de fantasia! A partir daquele momento, passei a ouvir as músicas de Enya repetidamente, senti muita afinidade com a proposta musical dela, que é música de mistério e fantasia.
PERGUNTA: George, considerando suas influências musicais, qual é o seu estilo?
RESPOSTA: De um lado, tenho uma linha de trabalho voltada pra MPB tradicional, com influências de Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Djavan. Dessa bagagem surgiu o álbum CANCIONEIRO POPULAR, com 12 canções, que falam essencialmente de assuntos populares, como saudade, alegria e amor. De outro lado, também tenho uma linha de trabalho voltada pra música New Age, com influência, basicamente, da cantora e compositora irlandesa, Enya. Dessa segunda bagagem, aliada à minha base espiritualista, surgiu o álbum ANDARILHO DAS ESTRELAS, que é outro álbum com 12 canções, que falam essencialmente de temas esotéricos, como espiritualidade, reencarnação, astrologia e autoconhecimento. Nesse caso, não são temas populares.
PERGUNTA: Você pode falar um pouco do álbum CANCIONEIRO POPULAR? Por que tem esse nome?
RESPOSTA: Eu resolvi escolher esse nome pro álbum porque ele tem músicas em diversos ritmos. Tem música em ritmo de samba, bossa nova, frevo, baião, balada, guarânia, reggae, rock e outros. Então, pesquisando sobre essa diversidade rítmica, acabei descobrindo e pegando emprestado o conceito de cancioneiro popular, uma coletânea canções de tradições individuais e coletivas da cultura popular brasileira.
PERGUNTA: E o álbum ANDARILHO DAS ESTRELAS? Por que tem esse nome?
RESPOSTA: Eu escolhi esse nome porque, no espiritismo e no espiritualismo de modo geral, a pessoa descobre que tem sucessivas existências aqui e em outros planetas. Então, hoje estou aqui na Terra, mas quando morrer pode ser que eu reencarne em outro planeta. E possivelmente vim de outro planeta pra cá. Em resumo, a pessoa fica andando pelas estrelas, aprendendo e ensinando, dando sua contribuição aos outros ao longo desse ciclo. ‘Andarilho das Estrelas’ é uma simbologia pra evolução espiritual, porque, de acordo com os ensinamentos espiritualistas, a reencarnação (independentemente de onde ocorra) é sempre uma oportunidade de aprendizado e, portanto, de evolução. Foi com base nessa ideia que eu resolvi escolher esse nome pra esse álbum, já que as canções nele inseridas abordam, principalmente, esses assuntos.
PERGUNTA: George, e as suas parcerias? Quem são seus parceiros? Pode falar um pouco deles?
RESPOSTA: A parceria é fundamental em qualquer objetivo que a pessoa queira alcançar. A pessoa pode até conseguir seus objetivos trabalhando sozinho, mas com parceiros ela alcança isso mais rapidamente. É claro que, ao longo da trajetória pessoal, encontrei pessoas que ajudaram de muitas formas. E eu sou grato a todas elas pela força que me deram. Falando especificamente dos parceiros do meu site, tem Daniel Lima, meu produtor musical, que produziu quase todas as músicas dos meus álbuns, fazendo um trabalho fantástico de arranjo e mixagem ao longo de dois anos e meio de serviço (de junho de 2020 até janeiro de 2023). Realmente, fiquei muito satisfeito com o trabalho dele, com o arranjo que ele montou pra cada música, a partir das referências musicais que eu encaminhava a ele (as quais eu entendia que eram as que mais combinavam com aquela música que eu pretendia que ele produzisse na ocasião).
Tem também a professora e cantora Mayara Dourado, minha professora de técnica vocal, que também me acompanhou ao longo desse período, em que eu ia treinando com ela as músicas a serem gravadas, treinando, corrigindo falhas, aplicando a técnica vocal pra trazer mais beleza à música, até o ponto em que eu me sentia seguro pra gravação da voz definitiva da música que iria ser gravada na ocasião.
Tem ainda o meu amigo fisioterapeuta, acupunturista e radialista, Gilmar Rodrigues, proprietário da rádio (online) Quantum; ele já tratou de alguns problemas de saúde em mim com aquelas agulhas que fazem milagre. Atualmente, ele abriu espaço pra tocar minhas músicas na rádio dele. Então, se a pessoa acessar, na Internet, a Rádio Quantum, vai ter oportunidade de ouvir, entre outras, algumas das minhas músicas.
Tem o Instituto Humanidade e Diversidade Unida (HDUn), que é uma instituição sociocultural, que eu conheci acidentalmente, quando recebi pelo WhatsApp, por engano, mensagem que seria enviada a outra pessoa a respeito de um festival de música em 2019. A partir daí, conheci o trabalho da instituição e me engajei no grupo desde então, mais especificamente com a parte cultural.
Em 2024, quando iniciei o projeto ‘Trilogia Sideral’, conheci Leo Monteiro, produtor de efeitos visuais que realizou um excelente trabalho na parte de cenário de fundo e efeitos de cinema nos clipes do projeto. Foi muito importante a participação dele nessa saga, que ficou com um ar cinematográfico semelhante aos filmes de ficção.
PERGUNTA: George, por que seu nome artístico ‘Faraó’?
RESPOSTA: Por causa de um jogo eletrônico de computador chamado ‘Age of Mythology’, que eu jogava em rede com alguns amigos. Então, o ‘Faraó’, de tanto ser usado no jogo, acabou virando apelido. Na época em que eu decidi assumir esse nome eu escolhi ele porque tinha se tornado algo natural pra mim (até porque era um apelido). Eu achei que ia ficar melhor do que usar meu sobrenome civil pra esse intuito, causando, assim, mais impacto. Além disso, com esse nome artístico eu preservo mais meu nome civil e, indiretamente, preservo minha família também.
PERGUNTA: Não incomoda você o fato de seu nome artístico estar associado a um jogo eletrônico?
RESPOSTA: Não. Pelo contrário, fico feliz em ter sido jogador assíduo de jogos eletrônicos. É importante dizer que o jogo eletrônico (vídeo game e equivalentes) é uma tecnologia e a tecnologia, por si só, não é um problema ou uma perdição. O uso que a pessoa faz dela é que determina o seu resultado positivo ou negativo. Em suma, o jogo eletrônico, por um lado, causa vício, isolamento social, problemas de visão, pode trazer à tona distúrbios psicológicos e emocionais, entre outras questões correlatas.
Por outro lado, o jogo me deu concentração, atenção, foco, criatividade, imaginação, conhecimento (em mitologia e em RPG), interação virtual e treinamento em língua inglesa. Veja: em Age of Mythology, como jogador, você controla uma civilização em preparação pra uma batalha. Nesse jogo, é necessário coletar recursos, agilizar construções de barracas e templos e, assim, formar um exército antes do ataque inimigo. Me fale você mesmo que habilidades você desenvolve se fizer isso repetidamente. Depois transponha pra vida profissional essas habilidades adquiridas no jogo.
Na saga Diablo (Diablo 1, 2, 3 e 4), como jogador, conheci uma classe de guerreiro chamada paladino (= paladino/cavaleiro/cruzado), o arquétipo mais marcante de herói que já vi no mundo de RPG. Esse arquétipo se consolidou quando conheci Dungeons and Dragons Online (DDO). Desse arquétipo marcante surgiu, em TRILOGIA SIDERAL, Eredrim. Os golpes com o sabre de luz, o arremesso do escudo, a invocação de poderes divinos, a capacidade de se curar, o propósito de justiça e de proteção aos inocentes, o que é isso senão um paladino em ação?
PERGUNTA: George, como é o seu processo de composição? Quando é que a inspiração vem e você compõe a música?
RESPOSTA: Olha, tem que haver silêncio. De repente, começam a surgir algumas frases na cabeça, junto com uma melodia, e aí eu vou cantarolando até formar uma espécie de refrão, que eu costumava gravar num gravador de jornalista. Depois eu passei a gravar essas ideias inspiradas no aparelho celular mesmo. Em seguida, eu separava um momento específico do dia pra sentar no computador, com o violão junto, e trabalhar em cima dessa música, pra concluir e dar uma “cara” de música de fato. Essa forma de compor me lembra o que falou Thomas Edison. Ele dizia que a criação de um invento era composta de 10% de inspiração e 90% de transpiração, porque, de modo geral, o compositor também faz isso. Ele recebe a inspiração pra compor, mas depois ele vai lá e faz adequações naquela música que acabou de compor. E aí já não é mais somente a inspiração atuando, é principalmente a transpiração, o labor, a revisão, ou seja, é o lado racional atuando pra dar acabamento àquela música nova.
PERGUNTA: No momento [em 2026], você está compondo música? Tem perspectiva de lançar alguma música nova ainda neste ano?
RESPOSTA: Sim, tenho algumas músicas novas já compostas, mas ainda na fase de produção. De outra forma, as músicas já ficaram prontas e eu enviei elas ao produtor, pra ele elaborar o arranjo delas. Agora elas estão nessa etapa, em que eu espero o produtor me enviar o arranjo delas pra eu gravar a voz definitiva de cada uma e reenviar ao produtor, pra ele fazer o que se chama de mixagem e masterização da música. Depois de pronta, eu envio essa música à distribuidora digital e de lá a música nova é disponibilizada nas plataformas digitais de música, conhecidas como plataformas de streaming.
PERGUNTA: Quais são suas perspectivas atuais em relação à música? Pensa em prosperar nesse ramo profissional?
RESPOSTA: Crescer com constância nesse trabalho. E, por esse caminho, o crescimento não vem, necessariamente, de um único sucesso explosivo nem de um momento mágico. De modo geral, vem da soma de pequenas decisões tomadas no dia a dia: continuar compondo quando ninguém está olhando, lançar músicas mesmo sem garantia de retorno, fortalecer uma identidade artística e construir uma audiência que se conecta à minha proposta musical. Mais adiante, a prosperidade pode surgir, mas com um significado mais amplo do que fortuna financeira. Pode ser simplesmente um catálogo de obras das quais me orgulho, pessoas cantando minhas canções e a sensação de que minha arte encontrou um público fiel. Além disso, a música não é apenas expressão artística, mas também um projeto profissional de longo prazo. Direitos autorais, presença digital, apresentações ao vivo, parcerias e repertório, trabalhando juntos, constroem uma marca pessoal sólida, um nome único, que se perpetua no tempo.
Particularmente falando, cada música autoral é uma forma de conversar comigo mesmo e com outras pessoas. Num futuro próximo, talvez eu olhe pra trás e descubra que uma canção minha que era menos tocada marcou significativamente minha vida.
Que os próximos anos tragam inspiração, disciplina, boas parcerias e oportunidades pra que minha música alcance quem precisa ouvi-la.